segunda-feira, 11 de julho de 2011

Vida

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la. Sonhe com aquilo que você quiser. Vá para onde você queira ir. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar, duram um a eternidade. A vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre. (Clarice Lispector)

Achei esse texto da Clarice Lispector tão lindo. Espero que vocês gostem, assim como eu gostei. :)

sábado, 9 de julho de 2011

O que ficou..

Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas… Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.
Caio Fernando Abreu.


Resolvi postar outro texto do Caio Fernando... Confesso que eu estou completamente apaixonada por ele. Que escritor é esse? A cada palavra que eu leio fico mais encantada! Na minha lista dos que eu mais gosto, ele está em primeiro lugar! Hahaha. É brilhante! (brilhante é pouco, rs).

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"A vida ensinou, a dar volta por cima, ver que após a tempestade o sol brilha, que a dor não dura para sempre é só acreditar. Ensinou que lágrimas lavam a alma fortalecendo a vontade de vencer, que um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas, que o sofrimento é só uma ventania que arrasta as folhas secas, mas não destrói a beleza das flores, tendo coragem e perseverança, a gente consegue derrubar qualquer obstáculo. Acredite nisso."

Bem, resolvi postar esse textinho pois acredito que nele está escrito coisas que estão presentes na vida de muitos, e além de tudo, é muito bonito.
Oi :)
Nossa, quanto tempo que eu não posto aqui... Mas enfim, a professora Simone falou que nosso blog pode contribuir muito para nosso conhecimento. E, por isso, resolvi postar esse texto aqui. Espero que gostem.


Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
     (William Shakespeare).

O que faz o medo!

Estamos trabalhando com o genêro crônica, então eu resolvi procurar uma para postar aqui para vocês lerem, espero que gostem tanto quanto eu!



Num país em guerra havia um rei que causava espanto. Sempre que fazia prisioneiros, não os matava: levava-os a uma sala onde havia um grupo de arqueiros de um lado e uma imensa porta de ferro do outro, sobre qual viam-se gravadas figuras de caveiras cobertas de sangue.
Nesta sala ele os fazia enfileirar-se em círculo e dizia-lhes, então:
-Vocês podem escolher entre morrerem flechados por meus arquieiros ou passarem por aquela porta e por mim serem lá trancados.
Todos escolhiam serem mortos pelos arquieiros.
Ao terminar a guerra, um soldado que por muito tempo servira o rei dirigiu-se ao soberano:
- Senhor, posso lhe fazer uma pergunta?
- Diga, soldado.
- O que havia por detrás da assustadora porta?
- Vá e veja você mesmo.
O soldado, então, abre vagarosamente a porta, e à medida que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente...
E finalmente ele descobre, surpreso, que a porta se abria sobre um caminho que conduzia a liberdade!
- Eu dava a eles a escolha, mas preferiam morrer a arriscar-se a abrir esta porta.


- Autor desconhecido.

Beijos!

A última crônica.

Eu e minha sala estudamos crônicas poéticas, e fomos divididos em grupos para pesquisar sobre alguns autores. Um deles foi Fernando Sabino, um escritor excelente que por incrível que pareça nasceu no dia 12 de outubro de 1993 (Dia das crianças) e morreu um dia antes do seu aniversário em 2004. O grupo que pesquisou sobre o autor leu esta crônica e eu achei muito linda. Espero que gostem também!


“A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.”

- Fernando Sabino.


"Sabe do que eu realmente gosto? Daqueles momentos em que nós enxergamos magia em coisas que são julgadas como simples. Gosto quando aparecem asas na nossa imaginação sem pedir licença. Gosto de ir além do concreto, do aqui e do agora.
Isso não se trata de fantasiar e deixar de viver, mas sim de viver o surreal com os pés no chão, só para aquecer o coração quando o que está a nossa volta é frio demais."
-Nathália Kielblock.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O baile!

Toda máscara tem duas aberturas na área dos olhos, para que, mesmo quando privamos o mundo de ver nossa verdadeira face, consigamos, mesmo assim, enxergar. Com a idade, as pessoas vão aos poucos descobrindo que é tão cômodo, é tão mais seguro esconder a fisionomia, que passam a achar que não vale mesmo a pena presentear o mundo com transparência.
No entanto, são justamente os olhos que desmentem as máscaras. Eles estão e estarão para sempre lá, descobertos. E eu, da mesma forma que você, mesmo vivendo num interminável baile de máscaras, já aprendi a olhar através da porcelana, a fitar os olhos tristes que estão logo acima do sorriso radiante.
No entanto, o que eu enxergava era tão bonito que me parecia apenas a mais bela máscara do baile, uma plástica distração que me transformaria em joguete, hipnotizado por aquela face que ostentava dolorosa beleza. Até hoje apalpo teu rosto procurando emendas desníveis, vestígios de cola ou encaixes bem-feitos, sem sucesso algum. Me deixei ser levado por tamanho encanto, e sigo flutuando em simples nuances de voz, sussuros inesperados e intrincados escritos.
Abriu-se uma roda. Somos o par que dança alegremente entre os mascarados, sentindo na pele do rosto a brisa de lança-perfume que faz parar o tempo, devidamente despidos das máscaras.


- Beeshop. (Pra quem não sabe, Beeshop é um projeto solo do Lucas Silveira, vocalista da banda Fresno. O cara é um gênio, vale a pena conferir!)

quarta-feira, 6 de julho de 2011


Oi. Amei esse poeminha do Pc Siqueira e vou compartilhar com vocês, rs.

Você está
Em todo lugar que eu não vou
Em toda noite que não durmo
Em todo plano que não concluo
Com todo mundo que não conheço
Em toda ligação que não atendo
Em cada mensagem que não envio
Em cada cama que não me deito
Em cada sobremesa que não como
Em todo tempo que não faço
Em toda hora que não estou calmo
Em toda sala sem barulho
Em todo abraço que não recebo
Em toda vez que eu desisto
Em todas as roupas que eu compro
Em todas alternativas que não escrevo.
Pc Siqueira.

sábado, 2 de julho de 2011

O milagre das folhas

Não, nunca me acontecem milagres. Ouço falar, e às vezes isso me basta como esperança. Mas também me revolta: por que não a mim? Por que só de ouvir falar? Pois já cheguei a ouvir conversas assim, sobre milagres: "Avisou-me que, ao ser dita determinada palavra, um objeto de estimação se quebraria." Meus objetos se quebram banalmente e pelas mãos das empregadas. Até que fui obrigada a chegar à conclusão de que sou daqueles que rolam pedras durante séculos, e não daqueles para os quais os seixos já vêm prontos, polidos e brancos. Bem que tenho visões fugitivas antes de adormecer - seria milagre? Mas já me foi tranquilamente explicado que isso até nome tem: cidetismo, capacidade de projetar no campo alucinatório as imagens inconscientes.

Milagre, não. Mas as coincidências. Vivo de coincidências, vivo de linhas que incidem uma na outra e se cruzam e no cruzamento formam um leve e instantâneo ponto, tão leve e instantâneo que mais é feito de pudor e segredo: mal eu falasse nele, já estaria falando em nada.

Mas tenho um milagre, sim. O milagre das folhas. Estou andando pela rua e do vento me cai uma folha exatamente nos cabelos. A incidência da linha de milhões de folhas transformadas em uma única, e de milhões de pessoas a incidência de reduzi-las a mim. Isso me acontece tantas vezes que passei a me considerar modestamente a escolhida das folhas. Com gestos furtivos tiro a folha dos cabelos e guardo-a na bolsa, como o mais diminuto diamante. Até que um dia, abrindo a bolsa, encontro entre os objetos a folha seca, engelhada, morta. Jogo-a fora: não me interessa fetiche morto como lembrança. E também porque sei que novas folhas coincidirão comigo.

Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma grande delicadeza.

- Clarice Lispector.


Oi! Então, resolvi postar esse texto aqui porque essa semana nós fizemos uma avaliação de Língua Portuguesa a partir dele, e eu achei-o incrível (Clarice Lispector né?). Espero que vocês tenham gostado também! ;)